Há uns dias para cá que estou mesmo zangada.
Estou zangada com este orçamento. Estou zangada com o facto do meu voto ter ido para as urtigas. Estou zangada com o Passo que segue inSeguro para Portas que não interessam abrir.
Eu votei em Menos Estado, melhor Estado, eu votei em dar de uma vez por todas volta a isto, eu votei na TSU, eu votei numa IDEIA.
Quando o ministro Vítor Gaspar anunciou no dia 17/10/2011 as medidas para OE, houve logo aí um número que me deu cabo do juízo – 0,4 % sob o PIB de cortes em consumos intermediários – 0,4%?!? Estamos a brincar, não!!!!
Quando ouvi dizer que a TSU não era para agora porque não havia forma para suportar essa não entrada de cash na SS, para além de zangada, fiquei doente.
Eu até entendo que uns quantos palhaços não percebem que numa economia em recessão, com o desemprego a rebentar, sem capacidade de crédito e forma de alterar politicas monetárias, a solução da baixa da TSU pareça uma miragem dum camelo nas dunas com um vodka martini entre as bossas – agora uma coisa é certa, com tão pouco espaço de manobra também é evidente que não haveria muito mais a fazer do que diminuir o custo do trabalho e sim – pelo lado do ESTADO. Menos Estado, melhor Estado!
Mas não, as medidas para o crescimento do país foram:
Para o sector privado, foram direitinhas ao do bolso de quem – do trabalhador – e isto numa economia que tem o desemprego na ordem dos 13% onde realmente a “brilhante” ideia de mais 30 minutos de trabalho diário, vai beneficiar terrivelmente o aumento significativo do mesmo! Brilhante, os meus parabéns, senti-me revigorada com esta medida, saída do tal deserto que acima citei.
Há uns anos para cá pergunto-me se terei mesmo lido os mesmos livros de economia, se não terá sido um crasso erro da minha parte a interpretação que dei aos mesmos, se por acaso não sofro do mal de iliteracia que há tantos anos espanta o nosso país.
Cheguei à conclusão que não. O que há sim, são para aí muitas falácias, disparadas como se fossem leis absolutas sem alternativas à vista.
Pois está à vista meus senhores, foi dita por vós, e foi com elas que conseguiram o meu voto – e é por isso que eu estou mesmo zangada.
Mas então não é uma evidência que baixar o custo de trabalho através da TSU, era uma medida revigorante para o crescimento da economia? Claro que sim, só não era para o Sócrates nem para os socialistas que agora fazem um tal alarido sobre o seu sentido de voto neste OE, à laia de birrinha de meninos mimados, já que não votaram no nosso que igual ao vosso, agora também não votamos em vocês. Dai-me paciência, muita paciência.
Já agora acrescento, que para além da baixa da TSU, seria sensato motivar uma diminuição no horário de trabalho, com a respectiva diminuição de salário como é evidente, especialmente nas empresas produtoras e transformadoras, sendo que a contribuição (diga-se obrigatória para usufruir de uma maior diminuição da TSU) em que as mesmas outorgariam, que por cada 3 empregados teriam que contratar mais 1 – e porque não! Acham que os portugueses são assim tão estúpidos e egoístas que não adeririam a esta medida. É inteligente, sensata e promotora da saída desta recessão – o que é bom para todos.
Mas não, contra tudo aquilo que já li – e veja-se para uma economia de mercado liberal – o que é que se faz: TSU, nem sei o que isso é e trabalha lá mais cerca de 16 dias por ano que é para o desemprego aumentar. Magnífico, esplendoroso mas que solução divinal!
Para o sector público – lá foram à vidinha mais 15% dos ordenados para o provisório o definitivo. Aqui tenho que ser sincera, não discordo – ou é isto ou é mais despedimentos – agora discordo da forma.
Não vos ficava bem senhores que governam a nossa nação graças ao nosso voto em vós, que começassem, por uma diminuição de 30% de todos ordenados dos órgãos de soberania (e são todos mesmo, antes que venham para aí alguns dizer que são mais iguais do que outros) e já agora o respectivo anúncio do FIM de todos os subsídios, subvenções, ajudas de custo e outros dinheirinhos a mais que por aí florescem como cogumelos?
Claro que vos ficava bem!
Pela primeira vez em muitos anos nesta nossa amada Pátria, o exemplo vinha de cima e para todos seria mais fácil aceitar o SACRIFÍCIO, quando se vê e confirma-se que começa por quem comanda – mas isto já são técnicas de liderança efectiva que para quem não teve uma educação clássica pode sempre recorrer-se dos livros de bolso dos self-maide man americano e as suas tácticas de venda agressiva.
Pois é meus senhores, mas que brilharete andam Vossas Excelências a fazer.
Bem agora, agora também há muito pouco a fazer. Os Gregos enlouqueceram de vez e ainda bem, porque assim escusamos nós de ficar malucos e o mais certo é isto tudo ir para as urtigas, porque no fundo os loucos foram mesmo todas as Excelências que deixaram chegar isto a este ponto. Valha-nosDeus absconditus!